Síndrome de Down, reflexões e histórias

Redução da carga horária de trabalho para os responsáveis por pessoas portadoras de deficiências

Redução da carga horária de trabalho para os responsáveis por pessoas portadoras de deficiências.

Meu nome é Cristiane, tenho 44 anos e sou mãe da Alessandra, 11 anos e do André, que tem 5 anos e é portador de Síndrome de Down.

Há cerca de três anos, eu e alguns colegas responsáveis por crianças especiais, conseguimos a redução da nossa jornada de trabalho, sem redução salarial. Assim, passamos a trabalhar 20 horas semanais, ao invés de 40 horas, sem prejuízos dos vencimentos e sem compensação das horas não trabalhadas. Em alguns estados brasileiros já existe lei regulamentando esta prática, mas não no estado de São Paulo.

Convidada para compartilhar esta e outras histórias neste blog, agradeço, pois pode haver pessoas que estejam vivenciando situações semelhantes. Ao final deste texto, anexo um modelo de petição inicial para aqueles que desejarem usá-lo para solicitar a redução da sua carga horária de trabalho.

De forma bastante breve, relato a minha experiência, desejando inspirar pessoas que buscam alternativas para melhorar a qualidade de vida dos seus filhos especiais, ou daqueles que amam como filhos.

Sou funcionária pública estadual, e há pouco mais de três anos uma amiga que trabalha comigo e tem uma filha portadora de síndrome de down, soube da iniciativa de outra mãe que entrou com uma ação na justiça para conseguir a redução da sua carga horária de trabalho, e obteve uma decisão favorável à redução sem desconto salarial ou compensação de horas. Isto porque uma pessoa especial requer mais atenção, cuidados e, portanto, mais tempo à sua disposição. Claro está que tais cuidados implicam em gastos financeiros.

Assim, contatamos os colegas que eram responsáveis por pessoas especiais a fim de que solicitassem a redução, caso tivessem interesse. Qual foi o meu espanto ao perceber que muitos colegas não quiseram fazer a solicitação por medo ou vergonha. Medo do que as pessoas iriam dizer ou vergonha de assumirem publicamente a deficiência de seus filhos. Não escrevo isto para julgar o comportamento dos colegas, mas para dizer que reações como estas são comuns entre pais com filhos especiais. Contudo, à medida que nos fortalecemos adquirimos segurança para tomar atitudes que beneficiam nossos filhos, independentemente das críticas, que acreditem virão!

A implementação da jornada especial de trabalho demorou alguns meses, pois éramos o grupo pioneiro, de tal forma que a instituição reuniu uma equipe especializada (técnicos, profissionais da área de saúde, etc) para a análise de nossa solicitação. Para os pedidos atuais, esta espera não é mais necessária.

Diversas pessoas nos criticaram quando souberam que tivemos a nossa carga horária reduzida. Infelizmente elas não foram capazes de entender que temos necessidades diferentes. Entretanto, apesar dos aborrecimentos causados por comentários infelizes e olhares maldosos, valeu a pena lutar pelo que acreditávamos. Portanto, não dêem ouvidos à maledicência alheia, não tenham medo do que irão falar ou pensar a seu respeito. Acreditem, vale a pena!

Por Cristiane

 

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