Bem estar

8 DICAS PARA AJUDAR A CRIANÇA A LARGAR A CHUPETA

Coloridas, grandes, pequenas, temáticas, decoradas, brilhantes. Hoje em dia as chupetas também fazem parte da composição do figurino de bebês e crianças.

Não podemos negar a importância que a chupeta oferece tanto para o bebê, quanto para os pais. Os primeiros meses de vida do bebê muitas vezes são marcados pelas famosas cólicas e desconfortos, porém, como não tem condição psíquica desenvolvida para lidar com todas essas “novidades”, eis que descobre como meio de demonstrar todo esse sofrimento, o choro. A mãe, carinhosamente apresenta então o seio como forma de acalentar não só fisicamente seu filho, mas também emocionalmente, pois o bebê vê no seio de sua mãe, a primeira saída possível desse momento tão difícil.

Porém, chega um momento em que não é possível a mãe estar presente 24h do dia, ou quando seu bebê sentir esses desconfortos e desprazeres, para oferecer seu seio. E isso é ÓTIMO! Calma… não me olhem assim…. Digo isso porque é na insatisfação, no desconforto, que o bebê encontra outras saídas – no caso, a chupeta, por exemplo – para se afastar do sofrimento. E isso é muito importante para seu desenvolvimento psíquico. É na “falta”, na “frustração”, que o “eu” começa a se desenvolver.

A criança está sempre pronta para viver essas faltas. O sofrimento gera impulso para que ela aprenda a desenvolver outras formas de lidar com a angústia. A questão é COMO a mãe recebe e administra esse momento.

A chupeta, então, representa um objeto muito interessante para essa “transição” e adaptação.

Porém, seu uso deve ser curto, tanto para benefício físico, quanto emocional da criança. Estima-se que o tempo ideal para uso de chupeta seja até os 2 anos de idade. A partir daí, ele já se torna prejudicial. Além do aspecto psicológico do “vicio”, a que não entraremos em detalhes aqui, o uso da chupeta em longo prazo pode levar a problemas como: má oclusão (mordida “torta”), cáries, desarmonia no desenvolvimento músculo-esquelético da face, flacidez muscular dos lábios, entre outros.

Procurei ajudá-los aqui com algumas dicas – algumas bem simples, mas ao meu ver, essenciais – para facilitar o processo de retirada da chupeta:

  1. NÃO SUMA COM A CHUPETA, RADICALMENTE – Basta pensar num fumante, ao se ver, de repente, sem conseguir um cigarro. É desesperador, porque é um vício. E a chupeta muitas vezes não é diferente. Isso pode fazer a criança ficar insegura e buscar outros recursos para substituir a chupeta, como o dedo, por exemplo. “Sumir” com o dedo da criança é um ‘pouco’ mais difícil, não é?

 

  1. FAÇA ACORDOS COM A CRIANÇA – Já dizia o ditado: “O combinado não sai caro”. E isso é uma verdade quando se trata de educar nossos filhos. Combine antes com a criança. Entre num acordo. Essa é uma fase de transição, cabe aos pais tornar esse momento menos traumático possível. Uma sugestão… comece com algumas horas do dia em que é possível o uso da chupeta, e outros não. Depois, dias (dia sim, dia não).
  2. RETIRAR DELICADAMENTE A CHUPETA DEPOIS QUE A CRIANÇA ADORMECER – isso já ajuda a criança deixar o hábito da chupeta noturna. Mas espere ela adormecer primeiro. Vai por mim….

 

  1. QUANDO A CRIANÇA FALAR, PEÇA PARA ELA TIRAR A CHUPETA – Há crianças que não tiram a chupeta da boca nem pra falar. Basta apontar para o que quer, que a “bola de cristal ambulante”, geralmente chamada de mãe (ou pai), já adivinha e satisfaz suas vontades. Peça para que a criança fale o que quer, sem a chupeta na boca. A fonoaudiologia e psicologia também agradecem.

 

  1. ESPEREM A CRIANÇA PEDIR A CHUPETA – Talvez essa seja a dica mais importante. Muitas vezes a criança usa a chupeta por insistência dos pais. Sim, acreditem. Essa é uma fase em que os pais estão exaustos, principalmente os que passam mais tempo com a criança. E ouvir a criança chorar, ou exigir sua atenção é algo pra muitos, desgastante. Então, vem a “milagrosa chupeta”. A criança fica calminha, calminha. Não dá trabalho… agora. Espera chegar a adolescência pra você ver. Estudos mostram que crianças que ficam muito tempo com chupetas, ficam tão “relaxadas” que se tornam mais propensas ao comodismo, a não ir atrás dos objetivos, a não buscarem soluções e saídas para seus conflitos. Além de um orçamento um pouco mais caro no dentista.

 

  1. DIA DE JOGAR FORA OU LARGAR DE VEZ – depois da “adaptação”, chegará um dia, acordado com a criança, de se despedir desse objeto que por algum tempo foi tão importante. Escolha uma data simbólica – Natal, aniversários, etc. Prepare a criança para esse momento com alegria e confiança.

 

  1. SEJA COERENTE E NÃO DESISTA – Que seu “sim” seja “sim” e seu “não” seja “não”. Além de passar mais confiança para a criança, estabelecer esses limites permite que os laços entre pais e filhos se fortaleçam, ainda mais num momento de rupturas.

 

  1. NÃO VOLTE ATRÁS – Deixei esse item por último, não por ele ser de menor importância, muito pelo contrário. Mas porque ele exige uma atenção maior. Esse é o item mais difícil para nós, pais. Mesmo seguindo todas essas dicas, pode ser que no dia seguinte ao do item “6”, bata aquela saudade do homem-aranha gravado na chupeta, ou da companheira inseparável de todas as noites…. É natural que a criança sofra nesses primeiros dias. Mas lembre-se: “é na frustração que o ‘eu’ se desenvolve”. Ou seja, a frustração é tão necessária quanto o prazer, para que se tornem adultos seguros e felizes. Quando bater aquele aperto no coração de ver seu filho chorando, pedindo a chupeta, lembre-se que está fazendo isso para o BEM dele, e que esse sofrimento será passageiro. Você o preparou para esse instante. Confie nisso. E SEJA FIRME. NÃO DESISTA. Ele vai sentir sua confiança, e saberá lidar com essa perda tão importante em sua vida. E depois, é só curtir.

 

Um grande abraço, e boa sorte a todos!!!

Daniela Colletto

 

 

 

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6 Comentários

  • Responder
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    Marisa Mathey Diz:

    janeiro 22, 2019 at 06:25 am

    Dra. Daniela,
    Deixo registrada a minha impressão extremamente positiva dos seus artigos. Todos os temas me foram objeto de dúvidas e insegurança. A minha sorte foi que a mãe de uma amiguinha da escola da minha filha, tornou-se uma grande amiga e como dentista pediátrica nos ensinou muito…ufa!
    A minha sobrinha, hoje com 4 anos usou chupeta e ficou com os dentinhos da frente bem protuberantes, o que foi ruim, terá que consertar com aparelho, o que poderia ter sido evitado se a chupeta não tivesse sido usada tanto, confirmando a importância do seu artigo e de todos os outros temas ligados à saúde bucal de nossas crianças. Forte abraço!

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    Daniela Colletto Diz:

    janeiro 22, 2019 at 07:57 pm

    Realmente a chupeta tem se tornado uma grande aliada dos pais mas infelizmente um inimigo para as crianças. Que bom que gostou! Um grande abraço!

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    Magali Diz:

    janeiro 22, 2019 at 01:20 am

    Olá Daniela! Gostei muito da sua matéria a respeito da chupeta e logo na primeira dica percebi que errei ao retirar a chupeta da minha filha, eu fiz um acordo como vc sugeriu mas não tive a percepção de retirar aos poucos é isso gerou muita ansiedade
    E nervosismo na minha filha, uma pena não ter visto antes sua matéria.

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    Magali Diz:

    janeiro 22, 2019 at 01:21 am

    Segue e-mail correto

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      Daniela Dal Colletto Diz:

      janeiro 22, 2019 at 01:58 pm

      Oi, Magali!! Não se culpe. Acredite, você fez o mais difícil: perceber que esse hábito era prejudicial e tentou ajudar sua filha. É muito complicado quando os pais não enxergam esse “problema” e vão empurrando com a barriga, prejudicando não só a saude bucal de seu filho, como a emocional também. E a vontade de ajudar nossos filhos e amigos a acabar com uma pratica tão ruim, as vezes nos faz sermos um pouco mais radicais.

      Um grande abraço!!!

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    Daniela Dal Colletto Diz:

    janeiro 22, 2019 at 01:57 pm

    Oi, Magali!! Não se culpe. Acredite, você fez o mais difícil: perceber que esse hábito era prejudicial e tentou ajudar sua filha. É muito complicado quando os pais não enxergam esse “problema” e vão empurrando com a barriga, prejudicando não só a saude bucal de seu filho, como a emocional também. E a vontade de ajudar nossos filhos e amigos a acabar com uma pratica tão ruim, as vezes nos faz sermos um pouco mais radicais.
    Um grande abraço!!!

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