Direitos

O conflito intenso e duradouro entre os pais só perde para a morte em danos para os filhos.

Isso mesmo, o divórcio é o evento mais danoso na vida de uma pessoa, mas pior que ele em si, é o conflito intenso entre os pais. Aqui podemos considerar todos os pais, não só os casados, mas os que conviveram em união estável, aqueles que tiveram relacionamentos eventuais, os casais de namorados, enfim pais.

O divórcio tem se tornado cada vez mais comum em nossa sociedade. Pelo senso do IBGE, de 2011 quase 30% dos casamentos terminam em divórcio, se considerarmos os filhos nascidos de relacionamentos eventuais, de uniões estáveis e outros acredito que já passam dos 40% os pais separados, obrigando-nos a tratar do tema como um acontecimento natural da vida.

O que não podemos considerar normal é a violência que se estabelece no relacionamento de muitos destes pais quando do nascimento de seus filhos.

Aqui lembro de Augusto Cury quando diz que as guerras podem estar nas ruas, mas em nossas casas devemos ter paz. No ambiente do nosso lar precisamos repor nossas energias, sentir-nos seguros para estarmos preparados para enfrentar os desafios da vida. O que falar então, se pensarmos no contexto das crianças e dos adolescentes? Estes seres vulneráveis, em formação deveriam ser tratados com Prioridade Absoluta, receber de seus pais todo apoio moral, espiritual, material para terem condições de se desenvolverem da maneira mais saudável possível.

Será que é isto que encontramos normalmente no ambiente dos filhos de pais separados ou mesmo aqueles que não se separaram mais vivem em conflito?

O conflito dos pais pode causar aos filhos: “dificuldade em estabelecer relações de confiança e de maior intimidade com outras pessoas; aumento no comportamento agressivo, nas brincadeiras e nos relacionamentos, em casa e na escola; dificuldades em lidar com situações que despertem emoções como a raiva em aceitar o “não”; dificuldade para dormir; pesadelos frequentes; sono inquieto; falta de apetite; dificuldade em seguir ordens e orientações de figuras de autoridades (Professores, superiores hierárquicos, etc) redução da autoestima e da confiança; sentimento de culpa e de impotência; sintomas físicos como dores de cabeça, dores de estômago, câimbras nas pernas ou ataque de asma intensa; regressões para etapas anteriores no seu processo de desenvolvimento (xixi na calça, etc); insegurança sobre qual lado eles devem tomar; solidão; medo; muita tristeza e sofrimento; raiva consciente e intensa,; depressão; ansiedade; medo de serem rejeitados e abandonados; comportamento de risco e delinquência; alguns adolescentes podem se tornar rebeldes e apresentar comportamentos antissociais.”

E como os pais arrastam seus filhos para os conflitos?

Brigam na frente dos filhos; falam mal um do outro na frente dos filhos; usam os filhos como mensageiros; usam os filhos como espiões; usam os filhos para se vingar do ex.  Mas, o comportamento citado, pelo menos na minha experiência, é comum de ser visto entre pais separados.

Pais, me corrijam se eu estiver errada, mas acredito que os pais ao falarem mal um do outro, como por exemplo: -” ele (a) sempre foi um mole mesmo!”, “não fazia nada direito!”, “não me ajudava em nada”, “sempre se vestia assim” (de forma debochada) ou ao fazerem várias perguntas para o filho quando volta da visita da casa do outro, do tipo: – “qual era o carro da namorada (o) dele (a)?” Ou “quanto ele (a) gastou com o brinquedo que te deu?” Não têm consciência de que estão sendo cruéis e violentos, imaginam que estão sendo verdadeiros, que a verdade deve ser dita e é bom que o filho (a) saiba como são as coisas desde pequeno.

Queridos pais e leitores,

Eu sei que é difícil lidar com todas as questões advindas deste novo relacionamento que precisa ser construído entre você e seu ex. A relação conjugal terminou, mas a separação dos pais não dissolve o vínculo familiar. A família permanece porque a relação parental é indissolúvel, não existe ex pai, nem ex mãe.

A vida moderna exige de nós uma multiplicidade de tarefas e obrigações e, seu filho (a) não é o responsável por seus problemas, portanto deve ser preservado da participação do conflito entre seus pais.

Os filhos estão a todo momento observando o comportamento de seus pais que servem de espelho para eles. Da forma que os pais resolvem seus conflitos, os filhos provavelmente também os resolverão, seja com seu vizinho, com a professora e até com os próprios pais. Pense nisto e faça sua influência positiva!

Procure conscientizar-se de que enquanto você está tão preocupado com o que seu ex fez ou deixou de fazer, tem alguém – seu filho (a), que está sofrendo e precisa ser preservado destes conflitos, cujos danos em sua formação podem ser irreparáveis.

Sentimentos de depressão, angústia, medo, vulnerabilidade, ressentimento, mágoa, raiva, entre outros, são comuns nesta fase de adaptação, mas é importante que eles te impulsionem a tomar atitudes positivas e não o contrário o que só piorará os problemas já existentes.

Busque formas de autocontrole, permita-se um tempo, procure fazer o que gosta, alimente-se bem, faça exercícios, encontre com as pessoas que ama, procure rir, medite, durma bem, pense em sua segurança, foque em suas qualidades, se for religioso, vá ao culto de onde gosta, não importa a religião. Se assim mesmo, estiver difícil de equilibrar-se, caso esteja se sentindo mal, com muita raiva, com dores de cabeça, nas costas, no corpo, deprimido, angustiado; se fazia coisas que não mais tem mais capacidade, se não quer encontrar as pessoas que ama, se ganhou ou perdeu muito peso, se está abusando das drogas ou do álcool, se perdeu a vontade de fazer as coisas que gostava, se tem desejo de ferir-se, procure ajuda profissional imediatamente!

Atualmente, felizmente há profissionais de várias áreas, inclusive da psicologia  e do direito que atendem voluntariamente nas Universidades, caso precise de assistência jurídica, neste caso, sugiro que procure um advogado colaborativo.

Observe seu filho (a) e converse com ele (a) porque as crianças e os adolescentes possuem sentimentos muito parecidos com os nossos, podem estar sofrendo em silêncio e também estar precisando de ajuda.

Que tipo de presença deve ser adotada em nossas vidas, para mudar esta espiral de pobreza, violência e desarmonia? Competitiva que destrói? Ou colaborativa que constrói?

Fica a reflexão para meu caro leitor e minha sugestão para que faça a diferença na sua vida, tomando atitudes que lhe trarão resultados positivos!

Mahatma Gandhi, o grande pacifista indiano dizia:

“Seja a mudança que deseja ver no mundo”

Marisa Mathey – Advogada e Mediadora de Conflitos

Fonte : Ministério da Justiça/ Conselho Nacional de Justiça/Cartilha  do Divórcio para os Pais.

Ilustração: Ibis Idem, p. 16 (foto do menininho chorando).

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1 COMENTÁRIO

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    Roseli Oliveira Diz:

    janeiro 22, 2019 at 12:03 pm

    Marisa Mathey e a todos envolvidos,
    Primeiramente , parabéns pelo projeto !!
    Encaminhei seu texto para uma amiga, em uma situação semelhante, e ela me respondeu:
    —” Rô … muito muito muito obrigada por compartilhar comigo um texto tão esclarecedor, verdadeiro e profundo. Ele foi meu divisor de águas e por incrível que pareça para o pai do meu filho também.
    Hoje entendi que a nossa presença na vida do Miguel estava sendo “competitiva destrutiva”, longe de ser o que realmente importa pra ele a “colaborativa que constrói ”
    Dou graças a Deus por ele sempre colocar essas pessoas de luz no meu caminho, direta ou indiretamente !!!
    Estou trabalhando minha reforma íntima para ser “a mudança que eu quero do mundo” e só estou colhendo bons frutos !!!
    Grata Grata Grata sempre !!!

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